LTV o que significa esta sigla?
LTV tem dois usos correntes e sem relação entre si. No crédito à habitação é o Loan-to-Value, o rácio entre o que o banco empresta e o que vale a casa: o número que decide quanto dinheiro é preciso ter à cabeça. No marketing e nas subscrições é o Lifetime Value, quanto rende um cliente ao longo de toda a relação com a empresa.
1.LTV: Loan-to-Value
É a percentagem do valor do imóvel que o banco aceita financiar. Um LTV de 80% significa que o empréstimo cobre quatro quintos e que o comprador tem de pôr o quinto restante do seu bolso, além dos impostos e das despesas da escritura.
Os limites não são invenção de cada banco: constam da Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026 do Banco de Portugal, em vigor desde 1 de Agosto de 2026, e dependem da finalidade do crédito:
- 90% para aquisição, construção ou obras em habitação própria e permanente: a HPP.
- 80% para todas as outras finalidades: a segunda habitação (HPS) ou a compra para arrendar (HPA).
Como se calcula o LTV
A fórmula é uma divisão, mas o denominador tem uma armadilha. Não é o preço que se paga pela casa: é o mínimo entre o preço de aquisição e o valor da avaliação feita por um perito. O banco financia sobre o mais baixo dos dois, sempre.
O que é o LTV de avaliação
É a mesma expressão vista pelo lado do denominador. Quando alguém fala em «LTV de avaliação» está a sublinhar que o rácio se mede contra o valor atribuído pelo perito, e não contra o preço da escritura. Em imóveis adquiridos há dois anos ou mais, ou recebidos a título gratuito, a Recomendação manda usar directamente o valor da avaliação, porque já não há preço de aquisição recente com que o comparar.
O LTV não anda sozinho na análise: o banco olha ao mesmo tempo para a taxa de esforço, o rácio DSTI, com um máximo recomendado de 45%, e para o prazo, limitado a 40 anos até aos 35 anos de idade e a 35 anos acima disso.
2.LTV: Lifetime Value
Fora da banca, LTV é o valor do tempo de vida do cliente: quanto se espera que uma pessoa gaste numa empresa desde a primeira compra até deixar de ser cliente. Na sua forma mais simples, multiplica-se o valor médio de compra pela frequência de compra e pelo número de anos que a relação costuma durar.
Serve para decidir quanto se pode gastar a conquistar um cliente novo: se cada cliente rende 300 € ao longo de três anos, pagar 400 € para o angariar é perder dinheiro em cada venda. Aparece com frequência ao lado do CAC, o custo de aquisição de cliente, e a comparação entre os dois é a que diz se um negócio de subscrição se aguenta.
