WWW: World Wide Web
WWW é a sigla de World Wide Web, a teia mundial: o sistema de documentos ligados entre si por hiperligações que se consultam através de um navegador. Nasceu no CERN em 1989, e explica que tantos endereços começam por essas três letras não tem nada de técnico nem de obrigatório: é uma convenção dos anos 90 que ficou.
Porque é que os endereços começam por www
Porque www é o nome de uma máquina, não uma parte da morada da Internet.
Num endereço como www.exemplo.pt, a parte que uma organização compra e lhe pertence é exemplo.pt. O que vem antes do primeiro ponto é um subdomínio: uma etiqueta que o dono do domínio inventa livremente para apontar para um computador seu. Podia ser loja, arquivo ou a1. Escolheu-se www.
A escolha fazia sentido quando se fez. Nos anos 90 uma organização não tinha um servidor: tinha vários, cada um com a sua função, e precisava de os distinguir pelo nome. O que servia páginas chamava-se www, o do correio mail, o de ficheiros ftp, o de notícias news. Quem escrevia o endereço completo estava literalmente a dizer à rede com que máquina daquela casa queria falar: e, num tempo em que a Web era o serviço novo e minoritário, valia a pena ser explícito.
Depois a Web comeu todo o resto. Hoje é o serviço por omissão e já não é preciso distingui-la de nada, mas o prefixo tinha ficado impresso em cartões, anúncios e cabeçalhos de jornal durante uma década. Ninguém decidiu mantê-lo: ficou por inércia, como um hábito que sobrevive à razão que o criou.
Então é indiferente escrevê-lo?
Para quem navega, sim. Os navegadores actuais escondem o prefixo na barra de endereços mesmo quando ele existe, e quase todos os sítios configuram as duas formas para o mesmo destino. Para quem gere um sítio, não.
A Web e a Internet não são a mesma coisa
É a confusão mais frequente, e a distinção é simples. A Internet é a infra-estrutura: os cabos, os satélites, os encaminhadores e os protocolos que ligam milhões de computadores entre si. A Web é apenas um dos serviços que circulam por cima dessa infra-estrutura: o que serve páginas por HTTP e as mostra num navegador.
Por isso o correio electrónico, as chamadas de voz sobre IP, as aplicações do telemóvel e as transferências de ficheiros usam a Internet sem serem Web. A Internet é a estrada; a Web é um dos veículos que circulam nela, ainda que seja o mais visível.
De onde vem a sigla
Em Março de 1989, no CERN, Tim Berners-Lee escreveu uma proposta com um título que não prometia nada de extraordinário: Information Management: A Proposal. Em Novembro de 1990 formalizou-a com Robert Cailliau sob o nome WorldWideWeb: Proposal for a HyperText Project, e pelo Natal desse ano já tinha implementado as três peças que ainda hoje sustentam tudo, o HTML, o HTTP e o URL, mais o primeiro servidor, o primeiro navegador e o primeiro editor. O programa chamava-se, precisamente, WorldWideWeb.
Em Março de 1991 passou a estar disponível para os colegas do CERN e, em Agosto de 1991, Berners-Lee anunciou-o publicamente nos grupos de discussão da Internet.
A decisão que mais pesou veio dois anos depois. A 30 de Abril de 1993 o CERN colocou o código no domínio público, declarando por escrito que renunciava a todos os direitos de propriedade intelectual sobre ele e autorizando qualquer pessoa a usá-lo, copiá-lo, modificá-lo e redistribuí-lo. A Web não é aberta por acaso nem por generosidade tardia: foi entregue assim, de propósito, num documento assinado.
